Desempenho Operacional e Financeiro 2017-05-31T14:01:26+00:00

Nosso compromisso é buscar novas oportunidades de crescimento e fortalecer o relacionamento com clientes, reguladores e participantes do mercado tendo como meta a geração crescente de valor para nossos acionistas no longo prazo.

O ano de 2016 foi marcado por mudanças políticas e de expectativas econômicas bastante significativas, tanto internacionalmente como no Brasil.

Eventos como o voto popular a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, a recuperação dos preços de algumas commodities e, por fim, o resultado das eleições nos Estados Unidos da América trouxeram grande volatilidade e aumento do grau de incerteza nos mercados globais.

No Brasil, o ano teve início com expectativas bastante negativas em relação ao nível de atividade econômica e ao desequilíbrio fiscal do país. Parte dessas expectativas negativas se confirmaram e a economia teve seu terceiro ano de recessão. Entretanto, com a transição política e nova orientação na gestão da economia, houve melhora no cenário de médio e longo prazo.

Mesmo com a economia nacional ainda em recessão, houve impacto direto no desempenho do mercado de ações do segmento Bovespa, que apresentou aumento tanto no giro de mercado como na capitalização de mercado das companhias listadas.

No caso do mercado de derivativos do segmento BM&F, o aumento de volume foi neutralizado pela queda do preço médio cobrado pela Companhia, principalmente em decorrência de mudanças significativas no mix de contratos negociados, com aumento da participação de minicontratos que possuem preço inferior à média.

Além disso, a Companhia seguiu investindo no aprimoramento de seus produtos e mercados, com destaque para o desenvolvimento de derivativos atrelados à inflação.

Desempenho operacional

Derivativos financeiros e de mercadorias (Segmento BM&F)

O volume médio diário negociado no mercado de derivativos financeiros e de mercadorias atingiu 3,2 milhões de contratos em 2016, alta de 12,4% em comparação com 2015, reflexo do crescimento de 87,7% do volume negociado de minicontratos.

O grupo de minicontratos é composto substancialmente por míni de índice de ações (62,0%) e míni de câmbio (37,9%), que apresentaram crescimentos de 66,2% e 138,0%, respectivamente, sobre o mesmo período do ano anterior, refletindo ampliação da atuação de investidores pessoa física e não residentes, em especial aqueles caracterizados como de alta frequência, nesse tipo de contrato.

Volume médio diário (milhares de contratos)

2012 2013 2014 2015 2016 CAGR
(2012-16)
Var.
2016/2015
Taxas de juros em R$ 1.925,7 1,856,7 1,417,4 1,458,4 1,447,7 -6,9% -0,7%
Taxas de câmbio 493,9 494,1 493,9 463,9 411,9 -4,4% -11,2%
Índices de ações 143,1 113,6 118,6 100,9 96,1 -9,5% -4,7%
Taxas de juros em US$ 149,8 155,9 219,6 289,2 253,1 14,0% -12,5%
Commodities 11,2 9,2 10,2 7,6 7,4 -10,0% -3,4%
Subtotal 2.723,8 2.629,4 2.259,7 2.320,1 2.216,1 -5,0% -4,5%
Minicontratos 165,7 208,2 310,6 520,3 976,5 55,8% 87,7%
Total 2.889,5 2.837,7 2.570,4 2.840,4 3.192,5 2,5% 12,4%

Excluindo o efeito dos minicontratos no ADV total, o volume médio diário negociado teria atingido 2,2 milhões de contratos em 2016, 4,5% de queda na comparação com o ano anterior, refletindo redução do volume negociado em todos os grupos de contratos, observada com mais intensidade nos contratos de taxa de câmbio e taxa de juros em US$.

A receita por contrato (RPC) média apresentou queda de 13,3% na comparação com 2015, principalmente como resultado da maior participação dos minicontratos no volume total (de 18,3% em 2015 para 30,6% em 2016), uma vez que a RPC média desses contratos é substancialmente menor que a RPC média dos demais contratos do segmento. Além disso, houve aumento na participação das operações day trade e de investidores de alta frequência, para os quais os preços cobrados também são inferiores, impactando negativamente a RPC média.

RPC média (R$)

2012 2013 2014 2015 2016 Var.
2016/2015
Taxas de juros em R$ 1,004 1,046 1,120 1,150 1,161 1,0%
Taxas de câmbio 2,205 2,535 2,669 3,671 3,846 4,8%
Índices de ações 1,524 1,761 1,774 2,128 1,827 -14,1%
Taxas de juros em US$ 1,015 1,231 1,294 1,840 1,794 -2,5%
Commodities 2,239 2,534 2,390 2,530 2,257 -10,8%
Média (exceto mínis) 1,253 1,373 1,515 1,787 1,765 -1,2%
Minicontratos 0,116 0,119 0,117 0,218 0,246 13,0%
Média geral 1,189 1,281 1,346 1,500 1,300 -13,3%

Excluindo o impacto dos minicontratos, a RPC média seria 1,2% inferior à verificada em 2015, influenciada principalmente pela: (i) queda da RPC dos contratos de Índice de ações, devido ao aumento da participação das operações day trade nesse grupo de contratos; e (ii) queda da RPC dos contratos de taxa de juros em US$, devido à redução no prazo médio desses contratos.

Quanto à atuação dos diferentes grupos de investidores no mercado de derivativos financeiros e de mercadorias, os investidores pessoas físicas ampliaram o volume negociado em 88,2%, aumentando a sua participação no volume total de 7,7% em 2015 para 12,7%, sendo que esse crescimento foi concentrado na negociação de minicontratos, conforme mencionado acima.

Os investidores estrangeiros e institucionais, os mais representativos do segmento, aumentaram o volume médio de contratos negociados em 13,9% e 14,6%, respectivamente em 2016, porém suas participações no volume total mantiveram-se praticamente estáveis no período. Por outro lado, o volume negociado por instituições financeiras caiu 9,8% e sua participação no total foi reduzida de 21,7% para 17,1% no período, reflexo do processo de redução da exposição a risco de algumas dessas instituições verificado ao longo dos últimos anos.

Participação no volume médio diário por tipo de investidor (%)

Participação no volume médio diário por tipo de investidor (%)

Ações e derivativos de ações (Segmento Bovespa)

O volume médio diário negociado no mercado de ações e de derivativos de ações (opções e termo) atingiu R$7,4 bilhões em 2016, aumento de 9,2% na comparação com o ano anterior. Essa alta reflete, principalmente, o crescimento de 8,6% nos volumes do mercado a vista, que representam 95,9% do total.

Volume médio diário negociado (R$ milhões)

 Mercados 2012 2013 2014 2015 2016 CAGR
(2012-16)
Var.
2016/2015
A vista 6.861,3 7.094,5 6.975,8 6.552,1 7.115,4 0,9% 8,6%
Termo 103,4 91,5 82,4 66,5 64,8 -11,0% -2,6%
Opções 280,1 230,3 233,1 170,3 233,9 -4,4% 37,4%
Total 7.250,7 7.417,7 7.292,5 6.792,8 7.416,5 0,6% 9,2%

A alta do volume no mercado a vista decorreu principalmente do aumento do giro de mercado, que passou de 72,9% em 2015 para 79,0% em 2016. Já a capitalização de mercado média do período atingiu R$2,24 trilhões, alta de 1,4% na comparação com o ano anterior.

Apesar da capitalização de mercado média ter se mantido praticamente estável, verificou-se forte recuperação dos preços das ações no segundo semestre do ano, o que é evidenciado quando se comparam os finais de períodos, nos quais a capitalização de mercado atingiu R$2,47 trilhões ao final de 2016 versus R$1,91 trilhão ao final de 2015, alta de 29,0%.

Capitalização média de mercado (R$ trilhões) e giro de mercado (%)

Capitalização média de mercado (R$ trilhões) e giro de mercado (%)

Quanto à capitalização média de mercado por setor, o financeiro permaneceu como o mais representativo da Bolsa, responsável por 34,2% do total. Os principais destaques em termos de desempenho foram os setores de Utilidade Pública e Petróleo, Gás e Biocombustíveis, que apresentaram altas de 17,9% e 14,4%, respectivamente, sobre 2015.

Capitalização média de mercado por setor (R$ bilhões)

Setor* 2015 Total Part. 2015 2016 Total Part. 2016 Var. 2016/2015
Financeiro 733,1 33,1 767,4 34,2 4,7%
Consumo 646,7 29,2 586,3 26,1 -9,3%
Utilidade Pública 194,6 8,8 229,4 10,2 17,9%
Petróleo, Gás e Biocombustíveis 184,0 8,3 210,4 9,4 14,4%
Materiais Básicos 212,3 9,6 203,6 9,1 -4,1%
Bens Industriais 111,8 5,0 102,5 4,6 -8,3%
Telecomunicações 91,2 4,1 89,9 4,0 -1,5%
Outros** 41,6 1,9 52,9 2,4 27,0%
Total 2.215,4   2.242,5   1,2%

* Em 2016 houve uma reclassificação dos setores.
** Inclui os setores de Saúde e Tecnologia da Informação.

As margens de negociação e pós-negociação nesse segmento caíram de 5,275 pontos base em 2015 para 5,194 pontos base em 2016, queda de 1,5%, explicada, principalmente, pelo aumento da parcela do ADTV relacionada ao vencimento de opções de índices, sobre a qual não há incidência de tarifa de negociação e pós-negociação, e pela maior participação de day trades, que são elegíveis a descontos por faixas de volume.

Em relação à participação por grupos de investidores no segmento Bovespa, os investidores não residentes permaneceram como os mais representativos, com 52,1% do volume total negociado, seguidos pelos institucionais locais, com 24,8%. Na comparação com 2015, os grupos de investidores que apresentaram maior crescimento foram os investidores pessoas físicas que aumentaram o volume médio diário negociado em 34,9% e os investidores não residentes que aumentaram o volume médio diário negociado em 7,6%.

Evolução do volume médio diário por grupo de investidores (R$ bilhões)

Evolução do volume médio diário por grupo de investidores (R$ bilhões)

Outras linhas de negócios

Tesouro Direto

O Tesouro Direto segue sua trajetória de forte crescimento. O estoque médio registrado atingiu R$33,5 bilhões em 2016, alta de 82,2% em comparação ao ano anterior, enquanto o número médio de investidores cresceu 83,8%, passando de 185,4 mil para 340,8 mil no mesmo período.

Desenvolvido em parceria com o Tesouro Nacional, o Tesouro Direto continua sendo promovido pela BM&FBOVESPA por meio da adoção de programas de incentivo para o canal de distribuição e aprimoramentos operacionais.

Tesouro Direto

Tesouro Direto

Desempenho econômico-financeiro

Receitas

A BM&FBOVESPA encerrou o ano de 2016 com receita total (antes das deduções de PIS/COFINS e ISS) de R$2.576,4 milhões, alta de 4,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse desempenho reflete o aumento das receitas do segmento Bovespa e de outras linhas de negócios não relacionadas a volumes.

Receitas (R$ milhões)

Receitas (R$ milhões)

As receitas de negociação e pós-negociação dos segmentos BM&F e Bovespa representaram 77,2% da receita total do ano, atingindo R$1.989,2 milhão, alta de 2,8% na comparação com 2015.

  • Receitas de negociação, compensação e liquidação no segmento BM&F:  somaram R$1.050,4 milhão (40,8% do total), 2,2% inferior a 2015, reflexo da queda de 13,3% da RPC média, que não foi totalmente compensada pelo crescimento de 12,4% do volume médio negociado diário no período.

  • Receitas de negociação, compensação e liquidação no segmento Bovespa: atingiram R$977,8 milhões (38,0% do total), alta de 8,3% em comparação com o ano anterior. As receitas ligadas a volumes negociados (negociação e pós-negociação) somaram R$959,2 milhões, 8,8% superior ao mesmo período do ano anterior, refletindo a alta de 9,2% do volume médio diário negociado.

  • Outras receitas: receitas não ligadas a volumes negociados atingiram R$548,2 milhões (21,3% do total) em 2016, alta de 13,9% sobre o mesmo período do ano anterior. Os principais destaques foram:

    • Depositária, custódia e back-office:  totalizaram R$177,7 milhões (6,9% do total), alta de 35,8% sobre 2015, resultado do aumento de 89,3% da receita do Tesouro Direto, que alcançou R$65,6 milhões no ano e do reajuste de preços pela inflação para alguns serviços prestados pela depositária a partir de janeiro de 2016.

    • Banco BM&FBOVESPA: as receitas atingiram R$39,8 milhões (1,5% do total), aumento de 13,2% sobre o ano anterior, principalmente devido ao aumento das operações de câmbio realizadas por clientes e do rendimento sobre as aplicações financeiras do Banco.

    • Outras: totalizaram R$36,0 milhões (1,4% do total), 49,3% superior a 2015, resultado de item extraordinário de R$16,9 milhões, sem impacto caixa, referente à reversão de provisão decorrente do redesenho do plano de saúde da Companhia, realizado em 2016, que impactou o passivo relacionado ao direito adquirido por funcionários que contribuíram com o plano de saúde no período de 2002 a 2009.

Despesas

As despesas de 2016 totalizaram R$1.226,2 milhão, alta de 44,1% em relação ao ano anterior, explicada, principalmente, por: (i) despesas extraordinárias, sem impacto caixa, relacionadas a provisões para processos judiciais de R$231,3 milhões; (ii) despesas relacionadas à proposta de combinação de operações com a Cetip de R$65,6 milhões; e (iii) R$51,5 milhões de despesas não recorrentes com concessão de ações. Excluindo esses itens extraordinários, as despesas totais teriam atingido R$877,8 milhões, o que representaria aumento de 3,2% sobre 2015.

Despesas (R$ milhões)

Despesas (R$ milhões)

Pessoal e encargos: totalizaram R$505,1 milhões em 2016, alta de 14,0% na comparação com 2015. Este aumento é resultado do impacto do dissídio anual de 8,6%, aplicado sobre a base salarial da Companhia a partir de agosto de 2016, e do crescimento das despesas com concessão de ações. Se excluído o impacto relacionado às despesas com plano de concessão de ações, a linha de pessoal e encargos teria somado R$359,9 milhões, o que representaria alta de 4,6%.

As despesas com o plano de concessão de ações atingiram R$145,2 milhões em 2016, alta de 46,7% sobre o ano anterior. Desse montante, as despesas recorrentes somaram R$93,7 milhões, compostas por R$48,9 milhões em principal e R$44,8 milhões de provisionamento de encargos que serão recolhidos quando da entrega de ações aos beneficiários, o qual foi impactado pela alta no preço da ação da BM&FBOVESPA.

Já as despesas extraordinárias – principal e encargos – somaram R$51,5 milhões, compostas por: (i) R$25,0 milhões relacionadas a rescisões; e (ii) provisão de R$26,5 milhões por conta de adequação na metodologia de apropriação de despesas relacionadas às concessões de ações que ainda não cumpriram seu prazo de carência, conforme condições estabelecidas no plano de concessões de ações da Companhia.

Processamento de dados: somaram R$144,6 milhões, alta de 18,5% em relação ao ano anterior, explicada, principalmente por: (i) reajustes de preços nos contratos de manutenção de TI; e (ii) impacto da apreciação do dólar norte-americano frente ao real, entre janeiro de 2015 e dezembro de 2015, dado que foi feito, nesses meses, hedge de fluxo de caixa para parte dos contratos denominados em moeda estrangeira e com competência em 2015 e 2016, respectivamente.

Depreciação e amortização: totalizaram R$98,3 milhões em 2016, queda de 11,3% sobre 2015 devido a (i) conclusão da depreciação e amortização de equipamentos e sistemas; e (ii) aumento do período de vida útil utilizado para cálculo de depreciação e amortização de certos equipamentos e sistemas.

Operação com a Cetip: somaram R$65,6 milhões em 2016, referente às despesas extraordinárias relacionadas à combinação de operações com a Cetip, sendo R$50,3 milhões referentes aos custos de realização da operação e R$15,3 milhões relacionados ao planejamento da integração de operações que ocorrerá após as avaliações regulatórias.

Diversas: totalizaram R$316,5 milhões, aumento de 274,8% na comparação ano contra ano e incluem: (i) R$183,9 milhões de provisão extraordinária referente à uma disputa judicial que teve sua chance de perda alterada de possível para provável; (ii) R$47,4 milhões referente à provisão de honorários de sucesso advocatício (success fee) que, a partir do 3T16, passou a ser feita para processos jurídicos classificados como chance de perda possível ou remota, já que no caso de êxito desses processos a Companhia deverá realizar os pagamentos de success fee contratados; e (iii) transferência de R$18,0 milhões para a BM&FBOVESPA Supervisão de Mercados (BSM), ocorrida no 4T16, com o objetivo de custear as atividades dessa instituição.

Endividamento

A dívida bruta da Companhia no final de 2016 era de R$5.463,6 milhões (incluindo o principal da dívida mais juros acumulados), sendo 91,8% dos vencimentos no longo prazo e 8,2% no curto prazo.

Em dezembro de 2016, para fazer frente às obrigações financeiras decorrentes da combinação de atividades com a Cetip, a BM&FBOVESPA aumentou o nível do seu endividamento por meio da emissão de debêntures e contratação de empréstimo em moeda estrangeira. As características do endividamento da Companhia estão detalhadas abaixo.

Emissão de debêntures – Primeira emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, no valor de R$3,0 bilhões, cuja liquidação financeira ocorreu em 15 de dezembro de 2016. Essa emissão tem prazo de três anos, amortização de 50% ao final do segundo ano e 50% ao final do terceiro ano e os juros remuneratórios correspondem a 104,25% da taxa DI. O pagamento de juros será realizado semestralmente, no dia 1º de junho e dezembro de cada ano.

Empréstimo – No valor de US$125,0 milhões, contratado em 15 de dezembro de 2016 a uma taxa de 2,57% a.a., com vencimento em 2 de janeiro de 2018 e amortizações mensais. O empréstimo faz hedge de fluxo de caixa com as receitas denominadas em dólares da Companhia, ao passo que vincula as amortizações mensais com a maior parte do fluxo de recebíveis dos contratos de derivativos denominados em dólares, quais sejam, os de taxas de câmbio e taxas de juros em US$.

Dessa forma, para o montante em dólar protegido pelo instrumento de hedge, eventuais ganhos ou perdas relacionadas às variações cambiais serão reconhecidas no patrimônio líquido, deixando de impactar diretamente os resultados trimestrais da Companhia tanto na receita da operação quanto na despesa financeira, transitando no resultado somente quando do vencimento do empréstimo. Com isso, deverá diminuir a variação na receita de derivativos reportada em função de mudanças na taxa de câmbio.

Emissão de dívida no Exterior – Senior Unsecured Notes emitidas no Exterior em julho de 2010 no valor de US$612,0 milhões, com vencimento em julho de 2020 e cupons semestrais, em julho e janeiro, de 5,5%.

Em março de 2016, a Companhia contratou swap do principal da dívida em moeda estrangeira, passando a manter posição vendida em taxa de juros local, a um custo efetivo de 79,1% do CDI aplicado sobre o saldo em reais na data do hedge (R$2.210 milhões).

Adicionalmente, em setembro de 2016, foram contratados NDFs (non-deliverable forward) para proteção contra variação cambial sobre juros semestrais da dívida em moeda estrangeira.

Resultado financeiro

O resultado financeiro totalizou R$152,0 milhões em 2016 e foi impactado, principalmente, pela contabilização da venda de participação acionária no CME Group, pela emissão de debêntures e pela contratação do empréstimo, conforme descrito abaixo.

Receita financeira: totalizou R$1.167,3 milhão no ano, alta de 56,5% em relação a 2015, explicada, principalmente pelo aumento do caixa médio no período, que inclui: (i) os recursos oriundos das vendas, em setembro de 2015 e abril de 2016, da totalidade das ações do CME Group detidas pela Companhia, cujo montante total era de R$5.487,7 milhões; e (ii) os recursos oriundos da emissão de debêntures de R$3,0 bilhões e da contratação do empréstimo equivalente a US$125 milhões, ambos realizados em dezembro de 2016.

Despesas financeiras: totalizaram R$442,5 milhões em 2016, alta de 86,8% em relação ao ano anterior, principalmente explicada por: (i) R$189,8 milhões referentes a operações de proteção (hedge) contra variação cambial sobre a dívida em moeda estrangeira com vencimento em 2020; (ii) R$17,6 milhões referentes à apropriação dos juros do cupom da emissão de debêntures realizada em dezembro de 2016; (iii) R$16,4 milhões referentes ao IOF incidente na internalização dos recursos da venda das ações do CME Group; e (iv) despesas no valor de R$20,6 milhões relacionadas à manutenção de linhas de financiamento no valor de R$2,7 bilhões contratadas, porém não utilizadas (stand-by facility), relacionadas à combinação de negócios com a Cetip.

Alienação das ações do CME Group: totalizou resultado negativo de R$572,8 milhões em 2016, não recorrentes, sendo: i) R$460,5 milhões, sem efeito caixa, relacionados à contabilização das variações no preço da ação do CME Group e na cotação do dólar norte-americano versus o real, entre setembro de 2015 e o dia do desinvestimento total no CME Group; e (ii) R$112,3 milhões, com impacto caixa, referente ao PIS e COFINS incidentes sobre o ganho de capital gerado na venda de 4% das ações do CME Group.

Imposto de Renda e contribuição social

A linha de imposto de renda e contribuição social somou R$199,5 milhões (positivo), impactada, principalmente, por:

  • reversão de provisão de impostos a pagar no montante de R$477,0 milhões (positivo), resultante da reavaliação da composição do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital tributável na alienação das ações do CME Group realizadas em setembro de 2015 e abril de 2016, o que resultou em reversão de parte das provisões contabilizadas;
  • redução de imposto no valor de R$306,0 milhões resultante da distribuição de R$900,0 milhões em juros sobre capital próprio ao longo do exercício de 2016;
  • impacto negativo de R$144,7 milhões em reversão de ativo referente a impostos acumulados no Exterior, em decorrência da venda das ações do CME Group, uma vez que esse ativo fiscal só poderia ser compensado com ganhos no Exterior.

O imposto caixa totalizou R$21,5 milhões em 2016, dos quais R$7,3 milhões pagos pelo Banco BM&FBOVESPA. Os itens que impactaram o imposto caixa foram:

  • imposto a pagar de R$439,3 milhões sobre o ganho de capital na venda de ações do CME Group, já considerando o ajuste de base mencionado acima;
  • mudança do regime tributário de variações cambiais registradas no balanço, de caixa para competência, que reduziu o imposto devido em R$337,6 milhões;
  • redução de base fiscal, incluindo o benefício fiscal de R$541,2 milhões decorrente da amortização do ágio.

Lucro líquido

O lucro líquido (atribuído aos acionistas) atingiu R$1.446,3 milhão, queda de 34,3% sobre 2015. Excluindo itens extraordinários, o lucro líquido seria de R$1.814,9 milhão, o que representaria alta de 7,1% em relação ao ano anterior.

Ressalta-se que o lucro líquido de 2016 exclui os impactos extraordinários relacionados a alienação de ações do CME Group (R$136,4 milhões, após impostos), operação com a Cetip (R$43,3 milhões após impostos), despesa extraordinária com concessão de ações (R$35,2 milhões, após impostos) e despesas extraordinárias com provisão para contingências e sucess fees (R$155,0 milhões, após impostos). O lucro líquido de 2015 exclui os impactos extraordinários relacionados às despesas com impairment (R$1.097,4 milhão, após impostos), descontinuidade do método de equivalência patrimonial (R$1.130,4 milhão, após impostos) e a alienação do CME Group (R$474,2 milhões, após impostos).

Principais itens do Balanço Patrimonial Consolidado em 31 de dezembro de 2016

Contas do ativo, passivo e patrimônio líquido

A situação patrimonial da BM&FBOVESPA permaneceu sólida ao final de 2016, com ativos totais de R$31.155,9 milhões e patrimônio líquido de R$19.076,4 milhões, altas de 18,4% e 3,9%, respectivamente, sobre 2015.

Conforme mencionado acima, em dezembro de 2016, a Companhia captou recursos para fazer frente às obrigações financeiras da combinação de atividades com a Cetip, por meio da emissão de debêntures no valor de R$3,0 bilhões e contratação de empréstimo no valor de US$125,0 milhões, sendo que ambas operações impactaram o balanço patrimonial.

As principais variações no ativo, em comparação com 2015, ocorreram nas disponibilidades e aplicações financeiras (ativo circulante e não circulante), que totalizaram R$14.847,6 milhões, alta de 47,7% na comparação com 2015, devido aos recursos captados em dezembro de 2016 e pela maior retenção da geração de caixa da Companhia, também para fazer frente às obrigações financeiras da combinação de atividades com a Cetip.

O passivo circulante atingiu R$3.657,8 milhões, alta de 74,4% sobre dezembro de 2015 e representou 11,7% do passivo total e patrimônio líquido. As variações mais relevantes ocorreram nas linhas: (i) instrumentos financeiros derivativos, referente ao hedge do principal da dívida realizado no final de março de 2016, que totalizou R$406,0 milhões (zero em dezembro de 2015), impactada pela apreciação do real frente ao dólar norte-americano; (ii) empréstimos que totalizou R$373,9 milhões (zero em dezembro de 2015) composto por empréstimo de um ano de prazo em dólar contratado em dezembro de 2016; e (iv) dividendos e juros sobre capital próprio a pagar de R$318,8 milhões referentes a juros sobre capital próprio pagos em 12 de janeiro de 2017. Além disso, o saldo de garantias depositadas em dinheiro por participantes do mercado, contabilizado na linha de garantias recebidas em operações, atingiu R$1.653,8 milhão (R$1.338,0 milhão em 2015).

Já o passivo não circulante somou R$8.421,7 milhões, alta de 43,7% sobre 2015 e representou 27,0% do passivo total e patrimônio líquido. As variações mais relevantes foram: (i) criação da linha debêntures, que somou R$2.991,8 milhões; (ii) redução da linha emissão de dívida no Exterior para R$1.987,7 milhão (R$2.384,1 milhões em dezembro 2015), que foi impactada pela valorização do real frente ao dólar norte-americano (contrapartida dessa variação está na linha instrumentos financeiros derivativos); (iii) redução na linha imposto de renda e contribuição social diferidos, composta principalmente pelo imposto diferido decorrente da amortização fiscal do ágio, para R$2.976,1 milhões (R$3.272,3 milhões em dezembro de 2015), em decorrência da baixa de R$920,9 milhões em imposto diferido relacionado à venda das ações do CME Group, reconhecido em setembro de 2015; e (iv) aumento na linha de provisão para riscos devido à alteração da chance de perda de processos judiciais para provável e provisionamento de honorários de sucesso advocatício (success fee) relacionados a processos classificados como chance de perda possível ou remota.

O patrimônio líquido no final de dezembro de 2016 atingiu R$19.076,4 milhões, 61,2% do passivo total e patrimônio líquido, composto principalmente, pela Reserva de Capital de R$14.327,5 milhões e pelo Capital Social de R$2.540,2 milhões.

Outras informações financeiras

Investimentos G4-EC7

Em 2016, foram capitalizados investimentos de R$223,7 milhões, dos quais R$210,3 milhões foram destinados à tecnologia e infraestrutura, em especial à fase de ações da nova Clearing BM&FBOVESPA. O total de investimentos ficou dentro do orçamento previsto para 2016 e anunciado em dezembro de 2015 (de R$200 milhões a R$230 milhões)

Orçamentos de despesas ajustadas e investimentos para 2017

Em dezembro de 2016, a Companhia anunciou os intervalos dos orçamentos de despesas operacionais ajustadas e de investimentos previstos para 2017, como segue: (i) orçamento de despesas operacionais ajustadas de R$675 milhões até R$705 milhões; e (ii) orçamento de investimentos de R$165 milhões até R$195 milhões.

Os orçamentos de despesas ajustadas e de investimentos para 2017 serão revisados na hipótese de conclusão da operação de combinação de negócios com a Cetip.

Distribuição de proventos

Referente ao exercício de 2016, o Conselho de Administração deliberou o pagamento de R$900 milhões em juros sobre capital próprio

Demonstração do valor adicionado (DVA) G4-EC1

O valor adicionado pela BM&FBOVESPA no exercício encerrado em 2016 somou R$3.04 bilhões, queda de 18,9% em relação ao exercício anterior.

A distribuição de DVA é apresentada na tabela abaixo, valendo destacar a alienação das ações do CME Group; e a distribuição de juros sobre capital próprio aos acionistas.

2016
R$ milhões
2015
R$ milhões
Impostos 64  854
Funcionários 505 443
Acionistas 900 1.243
Terceiros 452 246
Alienação das ações do CME Group 573 0
Retido 546 961
Total 3.040 3.747

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